Moçambique saiu da 46.ª Cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) com o reforço do apoio regional ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado, ao Diálogo Nacional Inclusivo e aos esforços de integração económica. O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou positiva a participação do país no encontro realizado em Durban, África do Sul.
A Cimeira decorreu a 17 de Agosto e reuniu Chefes de Estado e de Governo da região para discutir questões relacionadas com segurança, desenvolvimento económico, integração regional, migração e resiliência climática.
SADC reforça apoio a Moçambique no combate ao terrorismo
Uma das questões de maior importância para Moçambique foi a situação de segurança em Cabo Delgado.
Os Estados-membros reafirmaram que a paz, a estabilidade e a segurança são condições fundamentais para alcançar um desenvolvimento sustentável na África Austral.
Neste contexto, a Cimeira saudou os esforços desenvolvidos pelo Governo moçambicano no combate e erradicação do terrorismo em Cabo Delgado e reiterou a solidariedade regional para com o país.
Daniel Chapo destacou que os países da SADC mantêm o compromisso de trabalhar conjuntamente na prevenção e resolução pacífica de conflitos e no combate às ameaças que colocam em risco a estabilidade regional.
Diálogo Nacional Inclusivo recebe apoio dos líderes regionais
Outro ponto destacado pelo Presidente foi o Diálogo Nacional Inclusivo em curso em Moçambique.
Segundo Chapo, o país recebeu com satisfação as manifestações de apoio dos líderes da SADC ao processo, assim como aos esforços destinados à consolidação da paz, estabilidade e reconciliação nacional.
O apoio regional coloca o diálogo entre os instrumentos considerados relevantes para a manutenção da estabilidade política e social de Moçambique.
Moçambique quer aproveitar corredores de Maputo, Beira e Nacala
A integração económica também esteve entre as prioridades discutidas durante a Cimeira.
Entre as decisões destacadas encontram-se a aceleração da operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, o reforço do Plano Indicativo de Desenvolvimento Estratégico Regional 2020-2030 e a implementação da Estratégia de Industrialização da organização.
As iniciativas procuram aumentar o comércio e o investimento entre os países da região.
Moçambique poderá assumir uma posição estratégica neste processo devido aos seus corredores de Maputo, Beira e Nacala, além dos portos, caminhos de ferro e restantes infra-estruturas de transporte que ligam vários países do interior da África Austral ao Oceano Índico.
Segurança alimentar e mudanças climáticas entram na agenda
A segurança alimentar e nutricional, a redução do risco de desastres e o fortalecimento da resiliência climática também foram abordados pela delegação moçambicana.
Daniel Chapo defendeu a aceleração da operacionalização do Centro de Operações Humanitárias e de Emergência da SADC, localizado em Nacala-Porto, na província de Nampula.
O centro é considerado estratégico para melhorar a capacidade regional de prevenção, preparação e resposta perante situações de emergência.
Chapo manifesta preocupação com violência contra moçambicanos na África do Sul
O Presidente moçambicano abordou igualmente os recentes actos de violência registados na África do Sul e os seus efeitos sobre cidadãos de Moçambique.
Chapo apelou ao reforço do papel da SADC na promoção de uma migração segura e ordenada e condenou os episódios de violência envolvendo cidadãos dos dois países.
À margem da Cimeira, o Presidente manteve encontros com outros Chefes de Estado e de Governo, incluindo o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. Os dois reafirmaram o compromisso de aprofundar a cooperação bilateral, sobretudo nas áreas económica e comercial.
Ramaphosa assume liderança da SADC
A 46.ª Cimeira também ficou marcada pela renovação das lideranças dos principais órgãos da organização regional.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi eleito Presidente em exercício da SADC.
O Rei Mswati III, de eSwatini, foi escolhido para presidir o Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança da organização.
Daniel Chapo considerou que a participação de Moçambique na Cimeira foi positiva, destacando que o encontro permitiu defender os interesses nacionais, obter apoio para questões estratégicas do país e reforçar a cooperação entre os Estados da África Austral.
Fonte: Integrity Magazine.
