O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) entrou numa nova fase da sua operação ao começar a investir os recursos sob sua gestão em títulos públicos internacionais. Só no segundo trimestre de 2026, o Fundo registou um rendimento bruto superior a 953 mil dólares.
A mudança representa um passo importante na implementação da estratégia de investimento do Fundo, que deixa gradualmente a fase de preservação temporária do capital através de depósitos overnight para avançar com aplicações de longo prazo.
Fundo movimenta 118,4 milhões de dólares
Em 24 de Junho de 2026, o capital do Fundo Soberano, avaliado em 118,4 milhões de dólares, foi distribuído entre duas grandes carteiras internacionais.
De acordo com a estratégia aprovada, 70% dos recursos foram alocados em dólares norte-americanos e 30% em euros.
Até 30 de Junho, o valor de mercado do Fundo situava-se em aproximadamente 118,35 milhões de dólares. A carteira denominada em dólares, avaliada em cerca de 82,8 milhões, já estava integralmente constituída, enquanto a carteira em euros permanecia em fase final de implementação.
Rendimento supera 950 mil dólares no trimestre
Apesar da instabilidade registada nos mercados internacionais, o FSM terminou o segundo trimestre com um rendimento bruto de 953 mil dólares.
Com este resultado, o rendimento acumulado durante 2026 atingiu aproximadamente 2,01 milhões de dólares.
Depois da dedução de 2.309,78 dólares referentes aos custos de custódia, o rendimento líquido do período ficou em 950.739,55 dólares.
Dinheiro é aplicado nos Estados Unidos e Europa
O relatório elaborado pelo Banco de Moçambique, na qualidade de gestor operacional do Fundo Soberano, indica que os recursos começaram a ser aplicados em títulos públicos dos Estados Unidos e da Europa.
A estratégia está a ser implementada num cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, volatilidade nos mercados obrigacionistas e riscos relacionados com a inflação.
Nos Estados Unidos, segundo os dados apresentados no relatório, a inflação homóloga passou de 3,3% em Março para 3,5% em Junho. A Reserva Federal manteve a taxa de juro de referência no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Na Zona Euro, o Banco Central Europeu aumentou as taxas directoras em 25 pontos-base, perante novas pressões inflacionárias associadas ao contexto internacional.
Carteira regista perda não realizada de cerca de 51 mil dólares
Apesar dos rendimentos obtidos no trimestre, a carteira de títulos apresentava, em 30 de Junho, uma perda não realizada de 50.939,17 dólares, equivalente a cerca de 0,04%.
O resultado foi influenciado pela desvalorização dos títulos norte-americanos, associada à subida dos rendimentos, e pelo facto de a carteira em euros ainda estar em processo de constituição.
A carteira em dólares registou retorno de -0,06%, perante um benchmark de 0,04%, enquanto a carteira denominada em euros apresentou retorno de -0,01%, comparativamente a um benchmark de 0,06%.
Fundo mantém investimentos dentro dos limites estabelecidos
Em matéria de gestão de risco, o relatório indica que o Fundo cumpriu os principais limites definidos na sua Política de Investimento.
A exposição ao dólar permaneceu dentro do intervalo permitido de 65% a 75%, enquanto a alocação em euros respeitou o limite estabelecido entre 25% e 35%.
As duas carteiras apresentaram igualmente um rating médio de crédito de AA+ e permaneceram dentro do limite de stop loss estabelecido em 50 pontos-base.
Foi identificado apenas um desvio temporário relacionado com a duração da carteira em euros, que apresentava 0,52 ano perante um benchmark de 1,53 ano. A situação estava relacionada com o facto de a carteira ainda não estar totalmente constituída e foi corrigida após 9 de Julho.
Fundo Soberano entra numa nova etapa
O início das aplicações representa uma nova etapa para o Fundo Soberano de Moçambique, criado para gerir recursos públicos dentro de uma estratégia de preservação e valorização do património financeiro do país.
Com 118,4 milhões de dólares em capital e mais de 2 milhões de dólares de rendimento acumulado em 2026, o desempenho dos próximos trimestres deverá mostrar os resultados da estratégia de investimento adoptada num cenário internacional ainda marcado por elevada incerteza.
Fonte: Integrity Magazine, com base no relatório do Fundo Soberano de Moçambique.
