Por Solomon Mondlane

Se mentir fosse desporto, a FRELIMO já teria 51 medalhas de ouro. A PRM da Zambézia acaba de ganhar mais uma.

O que aconteceu em Quelimane

No dia 15 de Agosto, o ANAMOLA celebrou um ano no campo da Sagrada Família, na cidade de Quelimane. Uma marcha estava marcada para depois do show.

No dia 12 de Agosto, a polícia e o ANAMOLA reuniram-se.

No dia do evento, a polícia disse que a marcha não podia acontecer. A razão apresentada foi o carnaval da cidade, a decorrer de 14 a 23 de Agosto.

O show terminou. As pessoas preparavam-se para marchar. Ainda não tinham começado.

A polícia não falou. A polícia lançou gás lacrimogéneo contra uma multidão desarmada.

O comunicado da PRM falou de uma pedra lançada que partiu o para-brisas de uma viatura da polícia, nada comprovado.

Tradução: primeiro o gás. Depois a pedra.

Depois veio o comunicado da PRM

Ponto V: as pessoas responderam com insultos e uma pedra.

Ponto VI: o gás lacrimogéneo atingiu um enxame de abelhas perto do campo. As abelhas atacaram as pessoas. Um membro do ANAMOLA ficou gravemente ferido e foi levado ao hospital.

Ponto VII: a polícia diz que chegou a ponderar meios letais, mas só usou gás lacrimogéneo durante cerca de cinco minutos.

Ponto VIII: são citados protestos anteriores na Zambézia como motivo da decisão.

Carnaval nas ruas.
Gás lacrimogéneo no ar.
Abelhas no relatório.

O que disse Venâncio Mondlane

Venâncio Mondlane respondeu e classificou como falsa a justificação relacionada com o carnaval.

“O Carnaval só acontece à noite. Qual era o problema da nossa marcha marcada para as 14h?”

Sobre a versão envolvendo as abelhas, Mondlane declarou:

“A história de falar em ‘abelhas’ não é só vergonhosa, mas acima de tudo é hilariante. É uma piada.”

E acrescentou:

“Continuem a confiar nas armas… Vocês são o único partido que continua a usar armas para se impor.”

O registo dos acontecimentos

A PRM diz que existia um acordo, que o carnaval tornou a marcha insegura, que uma pedra foi lançada primeiro e que, posteriormente, houve recurso ao gás lacrimogéneo e o incidente envolvendo as abelhas.

O artigo contesta essa versão, sustentando que não houve acordo, que a marcha ainda não tinha começado quando foi lançado o gás e alegando ainda que houve disparos.

Quando o relatório da polícia parece um sketch de comédia, as pessoas só têm a rir.

Um membro no hospital. Um para-brisas partido. E um enxame de abelhas culpado pela ordem pública.

A PRM termina a nota lamentando os “distúrbios” e desejando “rápidas melhoras às vítimas do ataque súbito”.

O povo não quer novos vilões na história.

O povo quer a verdade. Mesmo quando ela pica mais do que abelhas.