O activista e académico Adriano Nuvunga levantou dúvidas sobre a real capacidade operacional dos novos aviões Embraer 190 da Air Mozambique, antiga LAM, alegando que componentes terão sido transferidos entre duas aeronaves para permitir a realização dos respectivos voos inaugurais.
A polémica envolve os aviões Embraer 190 baptizados “Zambeze” e “Limpopo”, recentemente apresentados como parte do reforço da frota da companhia aérea nacional.
Enquanto a empresa aponta a entrada das aeronaves em serviço como um passo importante para melhorar a regularidade dos voos e a conectividade entre diferentes pontos do país, Adriano Nuvunga questiona se os dois aparelhos possuem, de facto, condições para operar simultaneamente.
Nuvunga denuncia alegada transferência de peças entre aviões
Segundo a denúncia tornada pública por Adriano Nuvunga, teriam ocorrido transferências alternadas de componentes mecânicos entre as duas aeronaves.
De acordo com a versão apresentada pelo activista, peças teriam sido retiradas do “Zambeze” e instaladas no “Limpopo” para permitir que este realizasse o seu voo inaugural para Nacala.
Posteriormente, segundo a mesma denúncia, o processo teria sido invertido, com componentes a regressarem ao “Zambeze” para que esta aeronave também pudesse efectuar a sua viagem de estreia.
As alegações são atribuídas a Nuvunga e, no conteúdo divulgado, não é apresentada confirmação independente de que a transferência de componentes tenha efectivamente ocorrido.
“Se estão operacionais, por que não voam ao mesmo tempo?”
O questionamento levantado pelo activista concentra-se na capacidade das duas aeronaves de realizarem operações simultâneas.
Nuvunga coloca em causa a narrativa de que ambos os aviões estariam plenamente operacionais e questiona por que razão não estariam a voar ao mesmo tempo caso possuam todas as condições técnicas necessárias.
A denúncia acusa ainda a gestão e as autoridades de apresentarem uma imagem que não corresponderia à verdadeira situação operacional da frota.
Air Mozambique destaca reforço da capacidade operacional
Por outro lado, a administração da companhia aérea tem apresentado a entrada dos Embraer em rotas comerciais como parte do esforço de recuperação e fortalecimento da capacidade operacional.
Segundo a posição oficial referida na publicação, a colocação do “Zambeze” em operação comercial deverá contribuir para melhorar as ligações entre as províncias e aumentar a capacidade da transportadora.
A entrada das novas aeronaves ocorre num momento em que a companhia procura recuperar a sua capacidade de resposta e melhorar a regularidade das ligações aéreas nacionais.
Acusações aumentam pressão por esclarecimentos
As declarações de Adriano Nuvunga acrescentam uma nova polémica ao processo de recuperação da companhia e levantam questões sobre a gestão e manutenção das aeronaves recentemente incorporadas.
As alegações colocam igualmente pressão sobre a empresa e as autoridades responsáveis pelo sector para esclarecerem as condições técnicas dos dois Embraer e demonstrarem se ambos podem operar simultaneamente.
