Moçambique perdeu uma das figuras marcantes das suas artes gráficas. O mestre Justino António Cardoso faleceu na madrugada de segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, deixando um importante legado ligado à cultura, história e memória colectiva nacional.
O Museu da Presidência da República lamentou a morte do artista e destacou a dimensão do seu trabalho, considerando que a sua obra ultrapassou as fronteiras nacionais.
“Mestre Justino Cardoso não desenhou apenas para Moçambique. Desenhou Moçambique para o mundo.”
Uma vida dedicada a retratar Moçambique
Ao longo de décadas, Justino Cardoso utilizou o desenho como instrumento para representar diferentes momentos da história e do quotidiano moçambicano.
O seu trabalho abordou temas ligados à cultura, identidade, tradições, desafios nacionais e aos valores associados à construção do país.
Segundo o Museu da Presidência da República, a capacidade de observação e o traço característico do artista permitiram transformar acontecimentos históricos e sociais em representações acessíveis, críticas e profundamente humanas.
Da história colonial aos desafios contemporâneos
A obra de Justino Cardoso percorreu diferentes períodos da trajectória de Moçambique, incluindo a escravatura, a resistência à ocupação colonial, a luta de libertação nacional e a independência.
O artista também retratou questões contemporâneas, entre elas as potencialidades do país, a cultura e identidade dos moçambicanos, a resiliência nacional e desafios como o terrorismo e o extremismo violento.
Colaboração com o Museu da Presidência
Desde 2020, Justino Cardoso colaborava com o Museu da Presidência da República, colocando o seu talento e conhecimento ao serviço da preservação e valorização da memória nacional.
De acordo com a instituição, os seus trabalhos contribuíram para apresentar diferentes dimensões da história, da sociedade e dos valores fundacionais da República através da arte.
Obra de Justino Cardoso chegou além-fronteiras
As exposições e publicações do mestre permitiram que diferentes públicos fora do país conhecessem aspectos da história, cultura e identidade de Moçambique.
O Museu considera que a produção artística de Cardoso desempenhou também uma função educativa, ajudando a ensinar a história, despertar a consciência cívica e valorizar a cultura nacional.
“A sua partida encerra uma vida, mas não encerra a sua obra.”
Os desenhos, livros e murais deixados pelo artista permanecem como parte do seu legado e da memória cultural moçambicana.
Museu apresenta condolências
O Museu da Presidência da República endereçou condolências à família, amigos, colegas, admiradores e à comunidade artística e cultural pela morte de Justino Cardoso.
A instituição considera que, apesar da sua partida, a obra do mestre continuará viva através das diferentes representações da história e dos sonhos dos moçambicanos que produziu ao longo da sua carreira.
